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SDH/PR e UFJF inauguram primeiro curso de especialização em Audiodescrição do Brasil

Notícia 516 de 27/03/2014
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O primeiro Curso de Especialização em Audiodescrição do país teve início na noite dessa quinta-feira (20), no auditório do ICB, da Universidade Federal de Juíz de Fora (UFJF). A aula inaugural foi ministrada pelo secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). "Estamos fazendo a história das pessoas com deficiência no Brasil. Aqui temos as primeiras 50 pessoas que serão especializadas em audiodescrição", afirmou.

A primeira turma é composta por alunos de todo país, selecionados a partir da atuação profissional ou pelo trabalho realizado nas entidades voltadas para atenção às necessidades das pessoas com deficiência. O curso semipresencial tem carga horária de 405 horas e foi elaborado de acordo com a política nacional sobre acessibilidade da pessoa com deficiência. Os novos especialistas atuarão nos mais diversos contextos e ambientes culturais, educacionais e corporativos.

O curso é realizado em parceria pela SDH/PR e UFJF sob a coordenação da Profª. Drª. Eliana Lúcia Ferreira e da Drª. Lívia Maria Villela de Mello Motta, a iniciativa aposta no efeito multiplicador da capacitação. "Esses 50 alunos que vem de diversas regiões brasileiras vão ter a partir de agora a obrigação de estar implementando a audiodescrição nos seus estados, de promover a expansão e o uso do recurso de audiodescritivos, bem como testar, verificar condições de acessibilidade, os recursos disponíveis nos ambientes para que o conhecimento que eles estão tendo acesso nesse curso possa também servir como base da expansão da acessibilidade nas suas regiões", afirmou a Profª. Drª. Lívia Motta.

Participantes compõem grupo heterogêneo

Vindas de Goiânia direto para o curso, duas professoras que trabalham com pessoas com deficiência visual falaram das suas expectativas de acordo com suas respectivas áreas. A professora Adriana Alves (à esquerda na foto), trabalha no apoio pedagógico em Língua Portuguesa e no setor de produção do Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio do Deficiente Visual (CEBRAV). Ela disse que a partir do curso poderá qualificar o atendimento das demandas de audiodescrição recebidas na entidade onde trabalha. "A audiodescrição é uma coisa nova e nossa própria entidade por ser um centro especializado na área de deficiência visual recebe muita demanda para realizar a audiodecrição nos eventos, mas não temos ninguém.Estávamos até agora fazendo  laboratório e atuando nessa prática de forma ainda intuitiva", considerou.

Também do CEBRAV, a professora de dança, Laís Borges, espera do curso o entendimento de como a audiodescrição é aplicada no mundo da arte. "Sobretudo para as artes visuais, é fundamental que as pessoas com deficiência visual, que vão a um espetáculo ou museu, tenham o recurso da audiodescrição disponível, mas a arte é muito subjetiva, poética, tem linhas de  pensamento e acredito que o curso será muito importante pra embasar isso também".

Além do crescimento profissional, a vivência de um conteúdo técnico elaborado para observar a necessidade do outro também traz um ganho pessoal. Essa é a opinião da jornalista Talita Escobar, que trabalha com a produção dos recursos de close-caption (legendas ocultas) e audiodescrição na TV Aparecida, em Aparecida, São Paulo.

"A gente procura descrever tudo o que a pessoa com deficiência visual não poderia entender por caso não esteja oralizado. Pode ser um jeito de olhar do personagem, uma piada visual e ainda objetos e cores, pois muitas pessoas adquiriram a cegueira no decorrer da vida, então trabalhamos com essa memória, comentou Talita, detalhando o trabalho de referência da emissora iniciado em 2012 com a introdução de close-caption e audiodescrição de missas, filmes e séries presentes na sua programação. "Isso ajuda muito a gente, hoje percebo detalhes em filmes que antes nem prestava atenção", comentou.

Visita ao Centro de Referência de Direitos Humanos

Durante a tarde, o secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) participou de uma roda de conversa com lideranças e profissionais ligadas ao movimento das pessoas com deficiência durante visita ao Centro de Referência de Direitos Humanos (CRDH/MG) da cidade de Juiz de Fora/MG.

Inaugurado em fevereiro de 2012 na cidade pólo da Zona da Mata mineira, o CRDH/MG presta atendimento a todos os públicos vulneráveis às violações de direitos humanos na região.

Assessoria de Comunicação Social